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Divulgação | Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 FUTURISMO


Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 FUTURISMO
Rio de Janeiro; 30, 31 maio e 1, 2 junho / 2017
Lisboa: 14, 15, 16 e 17 de novembro / 2017

 


Em 2012, o CLEPUL (Centro de Literaturas e Culturas Lusófonas e Europeias, da Universidade de Lisboa) e o LEPEM (Laboratório de Estudos de Poéticas e Ética na Modernidade, da Universidade de São Paulo) deram início a um projeto de trabalho que culminou com a organização do Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 ORPHEU, que teve lugar em 2015, em Lisboa (na Fundação Calouste Gulbenkian e no Centro Cultural de Belém) e em São Paulo (na Universidade de São Paulo).
 
O CLEPUL continua o projeto, agora com a CÁTEDRA JORGE DE SENA (da Universidade Federal do Rio de Janeiro), e, juntos, procuram delinear cuidadosamente, laborar intensamente, no sentido de celebrarem os 100 anos da publicação da revista Portugal Futurista. Nesse sentido, irão organizar o Congresso Internacional Luso-Brasileiro 100 FUTURISMO — que decorreu, no Brasil, na Universidade Federal do Rio de Janeiro e na Universidade Federal Fluminense (maio e junho de 2017) e decorrerá, em Portugal, na Fundação Calouste Gulbenkian (novembro de 2017).
 
Trata-se de, novamente com a colaboração e a presença já confirmadas de reconhecidos professores e investigadores (Arnaldo Saraiva; Artur Anselmo; Barbara Gori; Carlos Ceia; Diego Poli; Duarte Ivo Cruz; Eduardo Lourenço; Ettore Finazzi-Agrò; Fernando Cabral Martins; Fernando Guimarães; Isabel Ponce de Leão; José Blanco; Júlio César Valladão Diniz; Miguel Real; Maria Helena Nery Garcez; Mário Avelar; Nuno Júdice; Onésimo Teotónio Almeida; Perfecto Cuadrado Fernández; Piero Ceccucci; Regina Zilberman; Santos, Pereira; Teresa Cerdeira, entre muitos outros), refletir, essencialmente, sobre o papel da revista Portugal Futurista nas comunidades e nas literaturas de língua portuguesa dos séculos XX e XXI, bem como sobre um conjunto de escritores, poetas, artistas, que nessa revista participaram — Almada Negreiros, Fernando Pessoa, Álvaro de Campos, Guilherme de Santa-Rita, Mário de Sá-Carneiro, Amadeo de Souza-Cardoso, Raul Leal, Apollinaire, Marinetti, entre outros —, e que, dois anos depois da revolução de Orpheu (e balizados, também, pelo timbre das obras que acabaram, afinal, por legar à posteridade), aprofundaram, ainda mais, a descontinuidade moderna.
 
Atendendo à importância académica e ao peso institucional deste Congresso, as Comissões Organizadoras empreendem esforços no sentido de congregarem especialistas e críticos renomados, como também escritores, poetas, artistas que deponham e reflitam sobre o impacto e influência que os futuristas causaram e vêm causando no campo literário, artístico e estético. Para além disso, e na continuidade do 1º momento que foi o Congresso Internacional 100 ORPHEU, terão, na Comissão de Honra Institucional, a presença de diversas Instituições portuguesas e brasileiras ligadas à cultura e à arte de modo geral, bem como de Universidades e Centros de Pesquisa cujos representantes e especialistas promovam o mais fecundo debate. 
 
Concebendo-se este Congresso Internacional como mais uma oportunidade de intensificar os laços históricos e culturais entre Brasil e Portugal, procurar-se-á, assim — entre conferências plenárias, comunicações, mesas redondas, painéis temáticos, exposições, colóquios paralelos, programas artísticos de teatro, concertos, passeios literários, etc. —, refletir amplamente sobre: os trabalhos, as obras, a herança, deixados por uma plêiade de personalidades portuguesas que se destacaram pelo gesto futurista (assinalado axialmente pela revista Portugal Futurista); a relação do Futurismo e das vanguardas europeias com a Semana de Arte Moderna de 1922; a ligação, no registo futurista, entre literatura e outras artes; a relação entre Futurismo e outras vanguardas do século XX nos espaços de língua portuguesa; a relação entre futurismo, vanguardas e ideologias; a tradição das revistas literárias; etc.
 
Assim se procurará, em última instância, refletir sobre o texto futurista, sobre a obra futurista, sobretudo no que eles conglomeram de agonismo, antitradicionalismo, imperatividade, carnavalização, mas também anseio de construtividade — como, afinal, desejava Álvaro de Campos, quando escreveu, na revista Portugal Futurista:
 

A Europa tem sede de que se crie, tem fome de Futuro!
A Europa quer grandes Poetas, quer grandes Estadistas, quer grandes Generais!
Quer o Poeta que busque a Imortalidade ardentemente, e não se importe com a fama, que é para as actrizes e para os produtos farmacêuticos!
Quer o General que combata pelo Triunfo Construtivo, não pela vitória em que apenas se derrotam os outros!
A Europa quer muito destes Políticos, muitos destes Poetas, muitos destes Generais!
A Europa quer a Grande Ideia que esteja por dentro destes Homens Fortes — a ideia que seja o Nome da sua riqueza anónima!
A Europa quer a Inteligência Nova que seja a Forma da sua Matéria caótica!
Quer a Vontade Nova que faça um Edifício com as pedras-ao-acaso do que é hoje a Vida!
Quer a Sensibilidade Nova que reúna de dentro os egoísmos dos lacaios da Hora!
(Álvaro de Campos. «Ultimatum», Portugal Futurista)



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