Dicionário da Imprensa Periódica do Antigo Regime

Em 1996, 1998 e 2000, o investigador responsável deste projeto preparou e publicou o Dicionário de Imprensa Periódica Literária do Século XX (Lisboa, Editorial Grifo, 3 volumes). Propomo-nos agora elaborar, com uma equipa de investigadores de formação interdisciplinar, um dicionário que inventarie, analise e sistematize a imprensa periódica dos séculos XVII, XVIII e dos primeiros anos do século XIX, ou seja, a que foi publicada, em Portugal, durante o Antigo Regime. 

A imprensa periódica é um instrumento fulcral para a compreensão da sociedade. Paul Valéry comparava-a a um fértil laboratório onde se fazem experiências cujo valor cultural é insofismável. Na realidade, os movimentos literários, históricos, artísticos, filosóficos e científicos tiveram frequentemente a sua génese, maturação e cidadania graças ao papel divulgador e teorizador dos jornais e das revistas. Recordemos, a título de exemplo, Les Temps Modernes, La Révolution Surréaliste, La Gazette Littéraire de l’Europe, Le Journal des Savants e La Nouvelle Revue Française, considerados, hoje em dia, patrimónios da cultura mundial. 

Deste modo, a imprensa periódica constitui uma fonte considerável para os investigadores das ciências humanas e das ciências exatas que se queiram debruçar sobre o pulsar da sociedade portuguesa durante o Antigo Regime. Porém, apesar da sua importância, a imprensa periódica dos séculos XVII e XVIII está praticamente inacessível. Com efeito, nem sempre existem coleções completas, havendo números disseminados por várias bibliotecas e arquivos nacionais; por outro lado, algumas encontram-se em mau estado, não sendo, portanto, possível analisá-las porquanto a sua consulta iria danificá-las irreversivelmente. Por outro lado, não existe um estudo profundo e abrangente sobre a imprensa periódica portuguesa dos séculos XVII, XVIII e do início do XIX. São estas algumas razões de peso para a elaboração deste dicionário.